Portal Menor, em Dó maior!
Dizem que é luz. Um arco dourado, nascido do chão cinzento, Como se a pedra tivesse aprendido a sonhar. Dizem que é passagem, transporte celeste da esperança. E o olhar acredita. Quem não acreditaria? Há sol naquele amarelo. Há promessa. Mas os símbolos, têm corredores escondidos. E quando o olhar regressa, Mais lento, Descobre no coração da luz uma sombra. Pequena. Erguida. Imóvel. Não uma porta aberta, mas uma presença. E o desenho inverte-se. A luz deixa de ser passagem e passa a ser cenário. E tudo então de torna grande, Menos a travessia. Tudo é luminoso, Menos o caminho. E o arco, que de longe parecia horizonte, Transforma-se numa moldura magnífica para uma saída estreita. Talvez seja essa a ironia. Iluminamos discursos para grandes travessias Para ocultar quão estreito é o fim do caminho. Mas o símbolo queda-se Permanece Que nem um sol. Um portal, Ou talvez apenas uma porta. Um lugar de chegada, Ou talvez um espaço de saída. E a eterna pe...