A Candidatura Presidencial: Um Exercício de Cidadania Democrática
Um candidato a Presidente da
República deve, antes de mais, ser um servidor público no sentido mais nobre do
termo. Não se trata de um cargo de poder absoluto, mas de um papel de agregação
nacional, de representação institucional e de garantia constitucional. Os
requisitos fundamentais para uma candidatura presidencial deveriam assentar em
critérios que vão muito além do currículo académico ou da notoriedade
mediática.
O perfil ideal de um candidato
presidencial deve incorporar, sobretudo, valores éticos sólidos, uma
compreensão profunda do sistema democrático e uma capacidade inequívoca de
estar acima das disputas partidárias conjunturais. A independência política não
significa neutralidade passiva, mas sim a capacidade de promover o interesse
nacional e defender os princípios constitucionais com firmeza e discernimento.
A experiência cívica e o
conhecimento das realidades sociais do país são fundamentalmente mais
importantes do que qualquer trajectória partidária estreita ou um qualquer
currículo imaculado (ou não) de ascensão e sucesso na sociedade.
Um bom candidato deve demonstrar
empatia com as diferentes realidades sociais, compreender os desafios das
minorias, e ter uma visão abrangente que ultrapasse os ciclos políticos de
curto prazo.
A transparência, a integridade e
a capacidade de diálogo são requisitos incontornáveis. O Presidente da
República não pode ser refém de interesses particulares ou de grupos
específicos, mas deve ser um verdadeiro mediador nacional, capaz de congregar
vontades e promover o entendimento entre diferentes sensibilidades políticas e
sociais.
A abertura à participação cidadã
significa precisamente que qualquer cidadão que reúna os requisitos legais e
demonstre competência cívica pode aspirar à mais alta magistratura do Estado.
Reduzir as candidaturas a um conjunto limitado de "nomes naturais"
seria (é!) uma profunda traição aos princípios democráticos e uma
desvalorização do exercício cívico da política.
Os cidadãos não podem ser meros
espectadores, mas sim participantes activos no processo democrático. Cada
candidatura deve ser escrutinada pelos seus méritos, pela sua visão para o
país, pela sua capacidade de liderança ética e pela sua genuína vontade de
servir o interesse público.
Em suma, uma candidatura
presidencial é muito mais do que um nome ou uma trajectória política. É um
compromisso com os valores democráticos, um exercício de cidadania responsável
e uma oportunidade de reafirmar os princípios fundamentais de representação e
serviço público que sustentam a nossa democracia.
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